Sabíamos que a viagem do Brasil até a China, numa só etapa, traria alguns problemas com a adaptação ao fuso horário. São onze horas de diferença e provavelmente os primeiros dias seriam bem difíceis para aproveitarmos bem os locais que desejávamos conhecer. Considerando que já havíamos passado por experiência semelhante quando viajamos sem escala para Singapura e ficamos trocando o dia pela noite por alguns dias.
Decidimos então que faríamos uma pequena parada em Dusseldorf, para uma primeira adaptação às 5 horas de diferença de fuso para a Europa e às 6 horas restantes seriam mais fáceis para o organismo adaptar-se. Assim, entre nossa chegada a Dusseldorf e saída para Pequim tivemos 2 dias e meio para isso.
Nosso vôo para Pequim previa uma troca de avião em Paris. Entre o desembarque de Dusseldorf às 14:30 hs e o novo embarque rumo à China, previsto para as 18:00 horas, tivemos tempo livre para circular pelo FreeShopping e comprar um livro excelente sobre Saint Petersburg, que será nosso guia por lá.
Estão previstas 9 horas de vôo para uma distância de 8200 quilômetros até Pequim! Até então, acreditávamos que a rota Paris/Pequim era no sentido no sentido oeste/leste, mas o avião assim que decolou rumou para o norte. Acompanhávamos o vôo pela tela instalada em frente à nossa poltrona.
O avião cruzou a Alemanha e seguiu pela Scandinávia até Saint Petersburg, quando mudou de rota para o leste. Ainda víamos o sol quando passamos mais ao norte na direção de Moscou e já era onze horas da noite, no horário de Paris. A aeromoça pediu que todos baixassem as cortinas das janelas para escurecer o interior do avião, pois o horário do local de destino já marcava cinco horas da manhã.
Meia noite resolvi trocar a hora do meu relógio para o horário de Pequim. Levantei a cortina da janela do avião e pude ver a claridade no horizonte como se ainda fosse escurecer . Fiquei observando até que o sol começou a aparecer em frente enquanto cruzávamos os Montes Urais.
Mesmo com a venda nos olhos, não conseguimos dormir. Chegamos meio zonzos quando saímos no Hall do aeroporto e fomos abordados por uma senhora que nos ofereceu um taxi por RMB 400,00 ( equivalente a R$100,00 aproximadamente). Diante da insistência dispensamos a oferta e procuramos o serviço de informação turística. Compramos o traslado por RMB 300,00 e a garota nos levou até a garagem. De repente surgiu o taxi: um AUDI com bancos de couro branco, motorista uniformizado e de luvas... O sono já está nos pegando, não havia como recusar aquele serviço e procurar preço mais barato, porque só depois descobrimos que o valor daquela corrida era de apenas RMB 150,00!
Chegamos no hotel ao meio dia. Depois de uma ducha, deitamos para um cochilo e acordamos 3 horas depois! Saímos para passear nas proximidades da Cidade Proibida. Ainda estava claro às dez horas da noite quando entramos num restaurante para jantar. Foi quando resolvemos fazer as contas do tempo que ficamos sem ver a noite: Havíamos acordado às seis da manhã em Dusseldorf e até meia noite o sol ainda estava aparecendo nos Montes Urais, o que representa 18 horas de sol. Como o sol se pôs somente às 10 da noite em Pequim, mais 16 horas de sol, no total tivemos um dia de 34 horas, sem ver a noite. Isso é que é um looongo dia!!!

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