Ontem à noite saímos para nos despedir da ilha. Fizemos mais algumas compras e paramos num bar para tomar um drink. Uma Piña Colada para as meninas e uma cerveja com rum para os meninos! Pagamos caro pelos drinks, R$ 60,00. A despedida não era só de San Andrés mas do Roberto e Edna que seguiriam para o Panamá e depois Costa Rica, e nós para o Equador. Existia a possibilidade de nos encontrarmos no aeroporto em Bogotá, dia de retorno para o Brasil.
Levantamos cedo para fechar as bagagens e tomar nosso café no Guillo. Caiu uma chuva torrencial que escureceu o céu, mas nem nos preocupamos, já estávamos acostumados com essas pancadas rápidas e em menos de 10 minutos o céu limpou. Decidimos ir cedo para o aeroporto porque tem sido um ritual desgastante a fiscalização para o embarque na Colômbia.Está virando uma paranóia a questão de segurança. Com o narcotráfico espalhando droga para o mundo todo, entendíamos procedente a fiscalização, mas nada mais desagradável que o fato de ter que abrir as malas antes de despachá-las. Vários policiais ficam em frente a uma mesa, onde as roupas são apalpadas e embalagens abertas. E aí, é uma correria para liberar o espaço para o próximo, fechando as malas de forma atabalhoada, tendo que acomodar tudo novamente. Sem contar que os objetos parecem aumentar de volume e a mala não fecha mais tão facilmente. A sensação que se tem é que todos são bandidos ou mulas, até que provem o contrário. Um rapaz teve a mala esvaziada, jogada no chão e o guarda colocou um pastor alemão dentro dela, para farejar. Não vimos o final da história, mas é uma cena constrangedora.
Desde Bogotá sentimos o impacto da militarização na vida cotidiana do cidadão. Os militares estão em todos os cantos com suas baionetas, inclusive nas portas de museus, hotéis e edifícios públicos. É uma convivência pacífica, são simpáticos e até nos saúdam com "Buenos dias". Mas nos aeroportos chegam a ser ríspidos e não facilitam na colocação ou retirada das malas sobre as mesas.
Quem viaja tem de estar disposto a passar por essas exigências e procurar não se aborrecer. O baculejo é feito depois do raio X e antes de entrar nos aviões. Com todo esse procedimento ainda vimos pessoas serem chamadas para fazerem reconhecimento das bagagens, antes de serem colocadas nos aviões. Para nós cidadãos do bem é um excesso, mas para eles, uma necessidade e um cumprimento de ordens. Então, é aprender a relaxar e a não perder o humor, mesmo nessas horas.
Vôo atrasado não é privilégio só do Brasil. Nosso vôo marcado para as 12:30 hs foi remarcado para as 14 hs. Conseqüentemente, perdemos a conexão das 16 hs. de Bogotá para Quito e o próximo vôo, só as 22 horas. Com isso, perdemos um dia dentro de aeroportos. A AVIANCA anunciou que pagariam o almoço. Veio um sanduiche com batatas fritas e coca cola... e mais um atraso! O vôo das 14 hs. só sairia as 17 hs devido ao mal tempo em Baranquila de onde vinha o avião. Chegamos em Bogotá às 19 horas. Ainda bem que o vôo para Quito saiu na hora marcada.
Chegamos a meia noite em Quito. O tempo estava bom, com uma temperatua de 10 graus. Pegamos um taxi que nos levou ao hotel que reservamos. Portas fechadas, ninguém na recepção e nós do lado de fora sem saber o que fazer, doidos por um banho e uma cama! Foi aí que o taxista nos levou para o primeiro hotelzinho que apareceu nas redondezas. Uma recepção apertada, com três mesas num corredor, cheias de fumantes. Que lugar horrível! Pedimos para ver o quarto, que estava limpo, uma cama de casal razoável e banheiro com ducha. Como não era hora de reclamar e com um cansaço danado, ficamos por ali. Não percebemos se a cama era boa ou ruim. Apagamos. Que dia difícil, mas amanhã é um novo dia.

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