Quando programamos nossa viagem, fizemos as reservas dos hotéis via internet (nossa guia, orientadora e facilitadora), com base nas informações sobre as cidades, melhor localização e levando em conta os pontos de interesse turístico.Em Cartagena a informação que tínhamos é que apesar dos grandes hotéis estarem localizados
Depois de umas duas horas de espera, Zico e Roberto retornaram com os olhos cheios de brilho e a notícia que tinham alugado um sobrado enorme, com piscina, na calle da Estrella, perto de uma belíssima igreja.
Como? Um vendedor de esmeraldas, que fica circulando pelas ruas à procura de compradores de jóia, perguntou o que procuravam. Então, lhe disseram que estavam à procura de um hotel nas imediações. Ismael que tudo sabe sobre a cidade, deu a referência da casa e os levou para a negociação das diárias.
Comprada por uns suiços, a casa foi restaurada e entregue ao administrador, Sr. Armando, para alugar as várias suites. Únicos hóspedes, nos sentimos donos do espaço que mais lembrava uma casa só vista em filmes de época.
Na entrada, um grande portão de madeira, com um grande peixe em bronze para chamar o porteiro porque não tínhamos a chave para entrar. Manoel, o vigia, sempre surgia de forma inesperada para abrir a porta. O corredor largo da entrada dá acesso ao jardim interno, com uma grande palmeira. Colunas de mármore sustentam o segundo andar. Construída no estilo espanhol, as salas e quartos são contornados por uma varanda. O pé direito é muito alto e os móveis de época, em madeira escura, estão dispostos como antigamente. Nas paredes grandes espelhos, com molduras douradas, estilo cusquenho.
Nossa suite era enorme, com uma cama king com dossel e um guarda roupa de madeira escura. A TV a cabo distoa naquele ambiente secular. À noite escutei alguns barulhos não identificados e de manhã resolvi perguntar ao administrador qual a história daquela casa. Ele contou-nos que um dia ela pertencera a um capitão espanhol, que lutou nas batalhas entre piratas franceses e ingleses contra a poderosa Armada espanhola, e que aquela casa havia sido um hospital, pois ali cuidavam dos feridos da guerra.
Apesar de saber que era um gato circulando à noite nos telhados, senti um frio na espinha e não resisti e perguntei: E não tem nenhuma alma penada por ai? __ Tinha sim, senhora, mas já não estão mais aqui, pois fiz um trabalho e já estão descansando em paz!!! Foi ai que entendi os ramos de palmeiras e ervas, amarrados e dependurados de cabeça para baixo nos quatro cantos da sala e que me fizeram lembrar a infância, quando se guardavam as plantas bentas no domingo de ramos, para serem queimadas no caso de fortes tempestades enquanto pedíamos a proteção divina...
Nossa casa tinha tudo isso, o Manoel, o Armando, uma cadela beagle com seus quatro filhotes, um gato, a arrumadeira mulher do Armando, os fantasmas que haviam saído de férias compulsórias e uma criação de besouros, isso mesmo! O Armando tinha uma pequena fazenda de besouros criados a amendoim ou mani. Eram micros besouros pretos, lá chamados de gorgulhos, que ficavam numa panela de cerâmica e todos os dias o Armando comia alguns vivos para tratar dos seus brônquios. Chegou a convidar-nos para experimentá-los. Não acreditei muito no efeito que ele apregoava, porque ele tinha a voz muito rouca que eu supunha serem os gorgulhos arranhando suas cordas vocais.
O Ismael, vendedor de esmeraldas nas ruas, merece um parágrafo exclusivo. Ele é aquele tipo malandro espertíssimo, pau para toda obra, mulato, magro, conversador, conhecedor profundo da cidade e arredores e bom de negócio. Depois de fecharmos o aluguel da casa ele nos ofereceu de tudo que Cartagena tinha: Pacotes turísticos, passeio em charretes, casa noturna com rumba, show de valenato e... chicas autenticamente cartaginesas que poderiam ser levadas aos apartamentos sem nenhum custo adicional. Depois de explicarmos que não estávamos ali para isso e que iríamos buscar nossas mulheres que, a esta altura, deveriam estar ansiosas com nossa demora, ele ofereceu o táxi, mas resolvemos ir a pé, um percurso de no máximo duzentos metros. Despedimo-nos de Ismael com o compromisso de desviar de rota sempre que o avistássemos.
Acabamos de deixar as bagagens nos apartamentos e estávamos de saída para o almoço, eis que surge Ismael e um amigo ao pé da escada conversando com toda a intimidade de velho conhecido oferecendo já na presença da Zoé e da Edna todas as esmeraldas que conhecia, bijuterias e endereços de joalheria, lojas de couro, butiques, pacotes turísticos, certo de que diante delas não poderíamos recusar seus serviços. Grande Ismael, que não dava ponto sem nó! Depois ficamos sabendo pelo Manoel que $ 25.000,00 pesos da diária de cada apartamento era para ele, o Ismael, que nunca mais vimos durante nossa estada


Um comentário:
Adorei o blog !!!
Gostaria de saber se vocês poderiam me dizer como eu faço para conseguir ficar hospedada nesta casa.
Obrigada
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