Nossa ida a La Boquilha, uma praia nas proximidades de Cartagena foi decepcionante. Tinha lido um artigo que sugeria que era uma praia sossegada, onde nativos preparavam um bom peixe, por um preço razoável. Lugar perfeito para um almoço! Pegamos um taxi, que só fez parar e dar meia volta. Era uma praia sem charme, de areia escura, com barracões improvisados e lixo nas proximidades. O mangue, já raleado pela invasão de casebres, era pouco significativo comparado aos mangues que temos no Brasil. Nós tínhamos um conselheiro de plantão, o Manoel, a quem tudo consultávamos qual a melhor maneira de fazer em Cartagena. Ele nos aconselhou tomar um táxi para ir ao vulcão. Conforme falei anteriormente, Manoel era um cara diferente, ele nos informou o preço do táxi até o vulcão, o local para almoço com o preço e outras dicas, mas decidimos por comprar um pacote com tudo incluído, exceto passeio pelos manguezais e o almoço
De manhã, cedo, antes da hora combinada, fomos chamados pelo Manoel porque havia uma pessoa à nossa procura para o passeio para o vulcão. Descemos rapidamente as escadas e pelo semblante do Manoel vi que ele desaprovava o que estávamos por fazer, mas discreto, ele permaneceu em silêncio, com um ar desolado.
Muito bem... Caminhamos até o microônibus com o guia de turismo e entramos apenas nós, entendendo que aquele seria um passeio no máximo para mais algumas pessoas com o mesmo roteiro que o nosso. Ledo engano, o microônibus começou sua peregrinação de hotel em hotel e passando por engarrafamentos num vai e vem, passou pelo mesmo lugar umas três vezes e, já lotado, após umas duas horas de circulação em torno da muralha, bateu no retrovisor de um táxi, continuou andando, e em seguida foi parado por uma patrulha. Foi quando reparamos no roteiro, pregado no vidro, em que incluía todos os passeios que fizemos no dia anterior e que havíamos combinado de não repetir a decepção... a paciência chegou ao limite!
Já eram 11 horas da manhã, fomos os primeiros a subir no microônibus às 8:30hs e depois de tanto circular, estávamos a poucos metros do nosso hotel. A Zoé, já aborrecida e enfurecida com a situação, pediu que o guia mandasse parar o microônibus e nos explicasse o que estava ocorrendo. Ele então nos disse que aquele passeio faria o trajeto completo com a ida ao mangue, almoço etc... mas que nós não participaríamos dos programas não adquiridos e ficaríamos apenas aguardando, enquanto os demais cumprissem a programação.
Não fomos com a cara do guia desde o primeiro instante que o vimos. Ele já estava arisco, provavelmente já ciente de como enrolar turistas. Agora já não tínhamos dúvida do golpe. O cara ficava olhando com um ar de deboche insinuando que tínhamos que fazer aquela programação, quiséssemos ou não. Pedimos que ligasse pelo celular para a agência e explicasse nossa situação e que não estávamos dispostos a passar o dia circulando por Cartagena e arredores, dentro do microônibus.
Ligação pra lá, ligação pra cá, ônibus parado, passageiros reclamando, princípio de motim pelas passageiras da frente que também já estavam irritadas pois não queriam ir ao vulcão. Depois do barraco armado, único meio para resgatarmos nosso dinheiro de volta, descemos e fomos direto para a agência de turismo para nos devolver o dinheiro, que meio a contragosto, nos pagaram em cheque.
Depois disto, resolvemos seguir os conselhos de Manoel e buscamos um táxi para fazer o passeio. Conhecemos o José (rrrosé), motorista de táxi experiente, que nos levou até o Vulcão Totumo para tomar o famoso banho de lama. Pelo caminho, nos mostrou grandes fazendas que eram de traficantes e foram desapropriadas pelo governo colombiano.
O som do táxi tocava uma música do vallenato que RRRRRosé gostava muito porque lembrava sua mulher de quem havia se separado fazia pouco tempo e, segundo ele, quando ouvia aquela música ele chorava (llorava!), aí bebia cervessa e llorava... Não sabia se bebia cerveja porque chorava ou chorava porque bebia cerveja. RRRRRosé foi um grande cicerone e se divertiu muito com o passeio porque sacou sua câmera digital e registrou tudo em suas fotos, nós e todo o cenário.
O Vulcão Totumo está às margens de um belíssimo lago e a lama que foi escorrendo de sua cratera, forma um cone com cerca de
Olhamos em volta e não havia banheiro nem ducha por perto, um detalhe pouco significativo, depois que o Roberto tão corajosamente resolveu enfrentar a banheira de lama e depois, sob nossos olhares, se deliciar num refrescante banho de lagoa com os serviços da Margarita que lhe dava banho com água apanhada numa cuia, e que insistia em tirar-lhe a sunga para desenlamear-lhe as partes pudendas. Prudentemente a Edna desautorizou aquele inocente banho, enquanto a ela jurava que todos os turistas adoravam e precisava fazer o serviço completo!
Resolvemos beber uma cerveja Club Colômbia num boteco onde o RRRRosé já estava tomando a sua e sem chorar... foi aí que me tornei cambista profissional. Ana, que também dava banho nos turistas, pediu para eu trocar por pesos os U$ 45,00 que tinha em nota de U$ 1,00. Depois da Colômbia, nossa próxima parada era o Equador e como lá a moeda circulante é o dólar então...porque não trocar o dinheiro para a Ana?
RRRRosé cochichou que deveria fazer a $ 1.800,00 pesos por U$ 1,00, a Ana topou e logo se formou uma fila de gente querendo trocar notas de Us 1,00. Saí dali com um pacote de U$ 200,00 em nota de U$ 1,00. Comecei a desconfiar que RRRosé tava jogando contra meu time apesar de saber que o câmbio girava em torno de $ 2.000,00 pesos em Cartagena. Detalhe: quando fui conferir o dinheiro todo enlameado da Ana, faltavam dois dólares e ela ficou me enrolando, com um sorriso de que a diferença vai ficar por isso mesmo, até quando fui acertar a conta das cervejas, deixando duas delas para ela pagar, é claro!
O taxista nos contou que a Ana era bruxa e ela apenas sorria com a história. Eu completei dizendo que bruxarias não me atingiam porque nasci empelicado e que sou filho de Oxossi, muito poderoso no Brasil. RRRRosé me olhou com respeito e falou que bruxa verdadeira tinha mesmo era no Brasil e que numa visita a Letícia na Colômbia, havia atravessado para Tabatinga e alí viveu uma experiência bastante interessante que nos narrou. Achamos que era lorota e não demos importância a história que havia ocorrido às margens de um rio na Amazônia. Depois das cervejas, se ele não chorava, podia estar inventando história!
RRRRosé nos levou para almoçar em Manzanilla, uma praia afastada com algumas barracas improvisadas, onde os nativos servem peixe frito com patacones. Com uma fome enorme, fechamos os olhos para o local e para o barraco onde se prepara a comida, pois do lado de fora vimos uma mesa de madeira, cheia de escamas secas e com uma péssima aparência. Ainda bem que o fogo esteriliza e a cerveja nos faz esquecer dos detalhes! Saúde!
Negociamos o preço do nosso almoço com o dono da barraca. Quando nos apresentou a conta resolveu incluir uma taxa extra de $15.000 pesos pela utilização da mesa! Inacreditável! Indignados, comentamos com RRRosé, que só olhava com indiferença, tipo não tenho com isso, e não quis se envolver. Pagamos $5.000,00 sobre protesto e saímos. Nossa vingança só se deu quando o rapaz recolheu os pratos e talheres numa bandeja e saiu caminhando sob nossos olhares de seca pimenteira! Ele tropeçou, caíram os pratos, que se transformaram em vários cacos! Assim, RRRosé confirmou sua história sobre bruxas... as brasileiras são mais poderosas que as colombianas!

6 comentários:
Pô Zico, perdeu o banho de lama?
E, pior, o banho da Margarida?
Ivan.
Eu não sabia do banho da Margarida para retirar a lama. Se tivessem me avisado, teria caído de cabeça no lamaçal.
Zico, o nome dela é Margarita. Não esqueço pô... ela queria tirar a sunga do Roberto para lavar melhor!
Será que o Ivan vai querer o banho? Avisa que ela não tem dente, portanto não doi.
Zico,
Aquela que queria dar o golpe no cambio era Ana. Quer a foto dela?
Oi Edna! Manda a foto da Ana trambiqueira! Ela não pode faltar!
Vou mandar o recado prá Ivan e ver se ele se anima.
Vocês perderam o melhor: o passeio zen pelos mágicos manguezais. Outro planeta, e olha que eu já viajei 52 países!
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